quarta-feira, 16 de setembro de 2015

A juventude em "Privilegiados"

A obra Privilegiados, de Raquel Rodrigues, inicia de modo intrigante. O começo do livro mostra o início das férias de William. Há uma descrição de detalhes desse último dia de aula, quando estava entrando de férias da escola. Mostra, inclusive, o barulho da sineta, as provas, fazendo com que o leitor sinta a atmosfera que circunda o personagem. A irmã de William, Evelyn, apesar de ter uma dor profunda dentro dela, prefere aproveitar a vida tomando um banho de sol.

Eram irmãos gêmeos e são descritos como "as duas pessoas mais bonitas da cidade. Ambos eram altos, loiros, os olhos de um azul profundo. Populares, ricos, comportados. Até agora." Cabe salientar que a autora procura fazer sempre a descrição física dos personagens, para que o leitor possa imaginar como eles realmente são. Além disso, muitos deles são descritos no estilo anos 70, com os hábitos, vestimentas e acessórios da época.

Porém, não são somente os aspectos físicos dos personagens que são descritos, mas também os aspectos psicológicos. Um exemplo disso ocorre com a personagem Evelyn, a qual tinha "essa dor enorme dentro dela, ardendo e sangrando, mas ela preferia não pensar nisso agora."

A história acontece em Celestin, descrita como "um lugar incomum. Calorosa e aconchegante, os verões eram quase insuportáveis." O período eram os anos 70, descrito como uma época de "Excesso, pecado, luxúria. E outras coisas."

Ao longo da obra, outros personagens vão surgindo como Daniel, Douglas, Lorenzo, Chiara, Adriana. Esses personagens também são jovens da época. Lorenzo, por exemplo, é descrito como "... um rapaz carismático, do tipo que todo mundo gosta. Os cabelos loiros e encaracolados o destacavam dos demais."

Um episódio marcante na obra é a festa na casa de Lorenzo. Nessa festa, há jovens que bebem e fumam, escutam músicas e fazem sexo desregrado. Essas práticas desregradas de uso de bebidas, de cigarro e de drogas são mostradas em vários instantes durante a obra.

Enfim, esse livro retrata os conflitos, os hábitos e a vida de jovens dos anos 70. É uma obra que desperta o interesse do leitor em cada capítulo, à medida que os episódios estão ocorrendo.

- Jennifer Sinhorelli
 
 


sábado, 1 de agosto de 2015

Dimitri pediu um J&B. Deparou-se com aqueles olhos azuis profundos e sentia a felicidade pulsar dentro de si. Instalada em seu ser como uma chama. Aquela é a menina mais bonita da cidade. E era só dele nessa noite.


"Dancing Queen" tocava. E eles, timidamente, se mexiam conforme o ritmo da música. Daniel odiava dançar, mas algo o arrastou para a pista. Ela, por sua vez, o achava muito bonito. Tão sofisticado e cordial. Ambos esbanjavam mistério e dor. Adriana pousa a cabeça em seu ombro. Ela chora.


Eles transaram em uma noite escaldante. Vítor estava nu, fumando um cigarro e observando da janela a rua pouco movimentada.

- deviam pintar você - comentou Daniel fascinado.

- o quê?

- alguém devia pintar você.

Vitor jogou o cigarro fora.

- estou cansado de trabalhar naquela casa - disse ele se juntando a Daniel na cama - vamos virar modelos.

Daniel sorriu com o absurdo.

- eu não posso ser modelo.

- claro que pode. Você é lindo. Vamos fugir.

E eles começaram de novo, famintos e insaciáveis. Vitor masturbava Daniel enquanto o penetrava com os dedos e depois de fazê-lo gozar ordenou que Daniel fizesse o mesmo nele.



Evelyn passara a festa inteira observando a todos com os olhos. Suas mãos tateavam no escuro, á procura de algo, ela não sabia o que era.

Quando o show terminou ela foi convidada por um desconhecido para ir até a sua casa. Não sentia a menor vontade de transar, mas que se dane. Talvez fosse divertido.

A banda e mais algumas garotas caminhavam pelas ruas. Evelyn começou a chorar. Fumava um cigarro enquanto as meninas cantavam a última música que eles haviam tocado.